Me chamo Paulo Cabral. Tenho 24 anos e trabalho com programação há cerca de 6 a 7 anos.
Minha jornada começou em 2019, quando iniciei a faculdade de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Unigranrio, em Duque de Caxias (RJ).
Durante a pandemia, comecei a buscar oportunidades de estágio. Recebi alguns 'nãos' — e, olhando hoje, foram fundamentais para o meu amadurecimento.
Depois dessas portas fechadas, tomei uma decisão: focar totalmente na programação. Passei a estudar todos os dias, de forma autodidata, acompanhando cursos e eventos de empresas como a Rocketseat, que promovia iniciativas gratuitas como a Next Level Week e a Semana Omnistack. Foi nesse período que comecei a me encontrar na área — e, mais do que isso, comecei a me divertir criando.
A lição da minha mãe
Na mesma época, minha mãe ficou desempregada. Mesmo com dificuldades, ela ainda fazia questão de me dar um pequeno valor mensal.
Mais do que ajuda, aquilo era um aprendizado. Era a forma que ela encontrou de me ensinar responsabilidade com dinheiro e autonomia no dia a dia.
Eu usava esse valor para coisas simples: cortar o cabelo, comer algo quando ia para a faculdade ou sair com amigos — sempre com a consciência de que precisava administrar bem, porque quando acabava, não tinha como pedir mais.
Durante a pandemia, eu percebia que muitas pessoas estavam precisando muito mais do que eu. E, sabendo que aquele seria o meu último dinheiro do mês, tomei uma decisão diferente.
Fui ao mercado com minha mãe e montamos duas cestas básicas. Perguntei ao meu pai se ele conhecia alguém que precisasse — e ele me indicou um pastor que cuidava de uma ONG com crianças.
E ali eu entendi que podia fazer mais do que só pensar em mim.
O e-mail que mudou tudo
Uma semana depois, durante uma aula online, recebi um e-mail que mudaria minha vida. Fui selecionado para um estágio na Impacta Lawtech — um programa em parceria com o Santander.
E o mais inesperado: essa oportunidade veio por indicação do meu irmão mais velho, Fábio Cabral, com quem eu praticamente não tinha contato até então.
No dia 20 de julho de 2020, comecei minha jornada profissional, recebendo R$400 do Santander e R$400 da empresa. Levava comida de casa. E, por uma 'Jesusidência', poucos dias antes eu havia vendido minha bicicleta por R$500 — dinheiro que pagou todo o meu transporte no primeiro mês.
O que realmente me movia
Mas o que realmente me movia não era o dinheiro. Era a minha história.
Meu pai havia sofrido um AVC em 2017 e ficou acamado. Minha mãe trabalhava um dia sim e outro não. E eu ajudava a cuidar dele todos os dias. Dava banho, ajudava na alimentação, trocava fraldas e incentivava pequenos movimentos para tentar melhorar seu quadro.
Eu transformei tudo isso em combustível. Muitas vezes chorando. Mas sempre firme. Sempre acreditando.
Meu irmão enxergou meu potencial e sugeriu minha efetivação. Ali começou uma nova fase. Passei a crescer rapidamente dentro da empresa, participando ativamente de projetos, soluções e evoluções que impactavam diretamente clientes e operações reais. Com o tempo, a empresa evoluiu e se consolidou como a iPrazos, e eu segui crescendo junto com ela.
Você nunca perde por ouvir mais, observar mais e ser humilde.
Foi isso que acelerou meu crescimento — muito mais do que qualquer tecnologia. Minhas escolhas sempre foram claras: honrar meus pais, aprender com quem sabe mais, e me dedicar ao máximo. Mesmo que isso significasse abrir mão de finais de semana e prazeres momentâneos.
PUC, MVP e a virada de chave
Concluí minha graduação e, um ano depois, iniciei Engenharia de Software na PUC. Foi uma experiência intensa, onde me entreguei de verdade — e tive a honra de ser reconhecido como um dos MVPs do curso.
Mas algo dentro de mim queria mais. Comecei a olhar para o mercado não só como desenvolvedor, mas como alguém que resolve problemas. Identifiquei dores reais — principalmente na organização de chamados e processos internos de empresas.
Passei a almoçar mais cedo só para estudar. Usei férias para desenvolver ideias. Transformei tempo livre em construção.
Durante uma viagem em família, apresentei tudo isso aos meus irmãos, Fábio Cabral e Felipe Cabral. Eles acreditaram. E juntos entendemos que não era só sobre um produto. Era sobre criar soluções reais para diferentes mercados.
Assim nasceu a 3code. Hoje, atuo como CTO, liderando o desenvolvimento de soluções que já impactam empresas relevantes do mercado, incluindo grandes nomes do setor jurídico e corporativo.
O dia 20 de março
Mas minha história não é só sobre crescimento profissional. Em 2026, vivi o momento mais difícil da minha vida.
No dia 11 de março, meu pai sofreu outro AVC. No dia 13, foi internado. E no dia 20 de março… eu perdi meu melhor amigo, meu maior conselheiro e meu maior apoiador. Meu pai.
Ele me deixou um legado que nenhuma faculdade ensina: humildade, fé e o compromisso de ajudar outras pessoas.
E foi a partir disso que nasceu algo ainda maior. O Tucano.
Não é só um produto. É um propósito. A ideia é construir soluções open source e, ao mesmo tempo, criar um ecossistema onde doações sejam convertidas em cestas básicas para famílias que precisam — com total transparência, mostrando cada impacto gerado.
Dentro desse projeto, nasceu o Tucano Proxy, uma alternativa open source a ferramentas como Fiddler e Proxyman.
Hoje, sigo construindo. Como desenvolvedor. Como empreendedor. Como filho. E principalmente como alguém que acredita que a tecnologia pode mudar vidas — começando pela nossa.
Se essa história te impactou de alguma forma, continue. Porque, independente de onde você está hoje… isso pode ser só o começo. 🚀


